Dinheiro: um outro modo de usar

Saio de casa às 8 da manhã. Desço até o subsolo, abro a porta do carro, que me leva onde quero ir, mesmo eu não tendo a menor ideia de como um motor funciona. No caminho para o trabalho, paro na padaria. Como se fosse mágica, antes que eu tivesse que me preocupar em fazer uma massa de ovo e farinha, um pão com manteiga surge na minha frente.

Saio da padaria e dirijo. No caminho, parado no farol, um rapaz limpa o vidro. Na empresa, encaro uma lista de problemas que não eram meus, mas que agora são. Dispenso, em função deles, uma atenção que poderia ser dada aos meus amigos, a minha família ou a qualquer hobbie que eu por acaso queira. A noite me encontro com alguns amigos em um bar. Levanto a mão e um garçom vem até mim. Digo o que quero e em poucos minutos tenho um belo prato na minha frente. Volto para casa, vejo um seriado. Na TV, pessoas bonitas fingem ser outras pessoas. Decoram falas, encenam e eu dou risada. Poucos minutos depois, durmo.

Este foi meu dia.

Foi como se eu tivesse um pó mágico no bolso. Um pó poderoso. Com ele, fiz com que um cara saísse de casa, assasse alguns pães, cortasse, passasse manteiga e me servisse. Mobilizei centenas de operários, para que juntassem parafusos e pedaços de metal em um fábrica abafada e construíssem um carro para mim. À noite, me fiz de rei e fui servido como tal. Era só levantar a mão. Por fim, pessoas encenavam fatos engraçados na minha frente, me faziam rir. Montes de energia movidos a meu favor.

Esse artefato mágico existe. Chama-se dinheiro.

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