Um conselho de coração para quem quer comprar ou alugar

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Nota do autor: este texto é um trechinho do capítulo “Um teto para chamar de meu”, do Dinheiro Sem Medo, meu primeiro livro, publicado pela Editora Saraiva, em 2017. Antes de começarmos, portanto, um recado:

Se nenhum imprevisto acontecer, no dia 06/08/2019 eu devo abrir vagas para o Dinheiro Sem Medo e para o Finanças Para Autônomos (meus cursos online) e o plano é incomodar o mínimo possível as pessoas que me acompanham. Por isso estou filtrando, desde já, quem está realmente interessado através de uma listinha que eu apelidei carinhosamente de “me avisa” – caso você queira ser avisado, é só deixar seu contato aqui: meavisa.amuri.com.br.

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Ter um canto para chamar de seu é um ato de emancipação, talvez o maior deles.

Não importa se você comprou ou alugou. Quando damos o passo, declaradamente passamos a nos responsabilizar por grande parte das questões fundamentais da nossa existência. Não há aspecto que siga intocado frente a uma mudança como essa; o que comemos, a maneira como nos vestimos, nossa vida social, nossa vida sexual, nossa relação com os ambientes que frequentamos. Tudo sofre influência direta do nosso movimento de saída da casa dos outros (pais, tios, avós, parentes) e isso é maravilhoso.

Você deixa um prato sujo na pia e vai trabalhar. Você volta e o prato ainda está lá. Sujo. Você decide não cozinhar e passa um mês comendo misto quente e lasanha congelada. Em trinta dias você ganha 5 quilos e percebe que suas as calças não te servem mais. O prato sujo e a calça apertada parecem pouca coisa, mas se você reparar bem, te lembram que todas as suas decisões, mesmo as pequeninas, têm consequências diretas.

É natural que as tecnicidades de uma mudança como essa assustem, comprando ou alugando. Lembre-se sempre que será um movimento delicioso e dolorido de todo jeito. Vá ciente de que os percalços serão inevitáveis. Quanto mais tranquilos estivermos, maiores as chances de lidarmos da melhor forma com comentários nocivos e rasos, que nos levam a decisões precipitadas e que cobram um preço caro, especialmente em movimentos complexos e cheios de facetas como esse.

Sobre móveis, eletrodomésticos e seu novo padrão de vida: tem gente que monta o básico de uma casa com R$ 1.000. E tem gente que monta com R$ 50 mil. Não faz sentido pagar juros no cheque especial, comprar uma geladeira com 5 portas e um fogão capaz de cozinhar almoço para 25 pessoas se isso não é o que você precisa. Vá no seu ritmo, conheça suas prioridades, pouco a pouco. Entenda que você não precisa manter o padrão que tinha na casa dos seus pais ou no lugar em que morava antes, e isso vale para cima e para baixo. Se seus pais têm uma condição financeira muito confortável, você não é obrigado tê-la, nem tampouco a agir como se tivesse. Se seus pais passam um baita perrengue todo fim de mês e não acham interessante gastar com uma panela de cerâmica, isso não significa que você não pode fazê-lo.

Ignore o “quem casa, quer casa” e o “a vida do ser humano muda quando ele compra seu primeiro imóvel”. Ignore também o “comprar casa é ficar preso” e o “não dá pra ser feliz vivendo de aluguel”. Nenhuma dessas frases populares acompanha um embasamento mais profundo.

Faça as simulações, pense e repense suas escolhas sem pressa. Busque amigos dispostos a ouvir – e evite os amigos ansiosos que só estão esperando a vez de falar

Uma vez decidido, tome a liberdade de ser duro e incisivo com quem não respeita suas escolhas. “Mas vai viver de aluguel para sempre?”,. “Não sei. Por enquanto vou”. “Nossa, mas vai entrar num financiamento tão longo?”. “Sim, foi a melhor opção que encontrei, talvez repense, no futuro”.

No mais, relaxe e aproveite. É um passo extremamente significativo, que servirá de base para inúmeras mudanças. Compartilhe com pessoas queridas. Comemore, aproveite cada pedacinho da nova morada. E se me permite um conselho, lave a louça, todos os dias.

eduardo antunes