Pequena reflexão sobre onde comprar presentes de natal

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Semana passada um colega cujo trabalho eu respeito e admiro bastante comentou, no Facebook, que optou por comprar uma vassoura e um rodo diretamente da mercearia do bairro, ao invés de comprar no grande revendedor. Em seguida fez uma provocação:

"Uma pequena mercearia, uma quitanda, uma lojinha de artesanatos. Dificilmente eles conseguirão competir em termos de preço com os "grandes", mas ao comprar deles você pode ajudar a centralizar menos o dinheiro nas mãos de quem quer dominar o mundo ao invés de apenas ter um comércio honesto.
No fim das contas eu paguei R$3.70 a mais pelo rodo e pela vassoura, mas pelo menos o dinheiro ficou aqui, no meu bairro, e não na conta do Tio Sam. Se valeu? Cada centavo."

Achei o comentário extremamente pertinente e notei que o assunto "hey, compre do pequeno!" tem surgido com frequência. Um pouco, claro, por conta dos ares natalinos e outro pouco – e esse é o ponto que quero destacar nesse texto – porque faço parte de um grupo de privilegiados. Eu e meu círculo social vivemos com relativo conforto e é por isso, e só por isso, que esse assunto ganha relevância e faz algum sentido. 

Veja bem, eu achei o comentário desse meu amigo bastante inteligente e apoio a iniciativa. Acho, sim, muito melhor prestigiar o trabalho do pequeno produtor do que comprar nas Lojas Americanas, mas é muito importante que tenhamos bastante clareza de que consumir de maneira política é para poucos. 

Do alto do nosso morrinho, precisamos nos esforçar para não vestir o chapéu de juiz.

Se você pode comprar orgânico, ótimo.

Se você pode comprar bonecas artesanais para dar de presente de natal, ótimo.

Se você pode comprar barra de chocolate vegano por 15 pilas, ótimo também. Nada disso é ruim.

O que não dá é pra soltar algo assim: 

"nossa, um absurdo esses grandes varejistas venderem tanto no natal, né? esses brinquedos vem da china! eles exploram pessoas! já dei bronca na minha empregada e estou avisando todo mundo lá no trabalho para nem passar perto!" 

A frase acima é real e foi escutada na estação Sumaré do metrô de São Paulo, uma das regiões mais caras da cidade.

Se dar ao luxo de comprar sem considerar o preço como fator fundamental e decisivo é um grande privilégio, já que, para a maior parte da população brasileira, a questão toda se desdobra em duas alternativas bastante simples: comprar do mais barato ou não comprar.

Se posicionar politicamente é importante, mas se colocar no lugar do outro é mais. 


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eduardo antunes